Furos de Água em Rio Maior
Fazemos furos de captação de água no concelho de Rio Maior, da lezíria às encostas do Parque Natural, para quintas, hortas, rega e moradias. Tratamos do licenciamento na ARH Tejo e Oeste, analisamos a água e entregamos o orçamento em 24–48 h.
Atualizado em 16 de outubro de 2026 · Fontes no fim da página
A resposta curta. Rio Maior fica todo na região hidrográfica do Tejo e Ribeiras do Oeste (RH5A), com a ARH Tejo e Oeste. A APA associa o concelho a três massas de água subterrânea: a Bacia do Tejo-Sado / Margem Direita, uma sequência de arenitos e calcários em camadas, em geral confinada; o Maciço Calcário Estremenho, cársico, que dá o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros; e a Orla Ocidental Indiferenciado da Bacia do Tejo. Duas notas do plano da APA pesam em quem quer regar: a Margem Direita tem estado químico medíocre, por fósforo total, e está em risco quantitativo, porque as captações agrícolas já extraem perto do que há disponível. E há as Salinas, que lembram que, aqui, a água subterrânea pode ser salgada.
A bacia terciária: arenitos e calcários em camadas
A massa Bacia do Tejo-Sado / Margem Direita (1 644 km², meio poroso, moderadamente produtivo, segundo a APA) é um sistema multicamada. Nele distinguem-se os Calcários de Almoster, que formam um aquífero carbonatado, e os Arenitos da Ota, hoje chamados Formação de Alcoentre, que formam um aquífero detrítico. Os aquíferos são do tipo livre a confinado e, como regra, confinados e semiconfinados; a vulnerabilidade à poluição vai de moderada a alta. Os relatórios que consultámos dão para os arenitos uma produtividade mediana de 11,1 l/s e uma transmissividade que vai de 1 a 4 100 m²/dia, com os valores mais frequentes entre 20 e 160 m²/dia.
A dispersão é o que importa ao proprietário. Um furo que apanhe uma camada arenosa grossa pode render bem, e outro, ao lado, que atravesse sobretudo argila, rende muito pouco. É por isso que olhamos para os furos vizinhos e para a geologia do pin antes de falarmos em metros, e que o orçamento de um furo mais fundo separa a perfuração do ensaio de caudal.
O que a APA diz sobre o estado da água e sobre a rega
No plano de gestão em consulta para 2028–2033, a APA classifica a Margem Direita com estado químico medíocre, por fósforo total, e a Orla Ocidental Indiferenciado da Bacia do Tejo por azoto amoniacal; em ambas a pressão dominante é a agricultura e a pecuária. No estado quantitativo, as duas massas têm classificação boa, mas a APA coloca-as entre as dez da região em risco de não atingir os objetivos, porque o volume extraído pelas captações existentes está próximo dos recursos disponíveis, sobretudo pela rega. Nada disto proíbe um furo. Mostra, sim, que há muita água a sair destes aquíferos e que compensa dimensionar a captação pelo consumo real, em vez de a sobredimensionar.
Estas são classificações da massa de água no seu conjunto e não dizem como é a água do seu terreno. Analisamos sempre a água antes de decidir o uso.
Parque Natural e calcário cársico
O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros foi criado em 1979 (Decreto-Lei n.º 118/79, de 4 de maio). O plano de ordenamento (Resolução do Conselho de Ministros n.º 57/2010, de 12 de agosto) aplica-se a parte de sete concelhos: Alcanena, Alcobaça, Ourém, Porto de Mós, Rio Maior, Santarém e Torres Novas. A Resolução n.º 104/2023 atualizou depois os limites do Parque e aprovou um programa especial, mantendo o plano de 2010 em vigor até à atualização do plano diretor de cada concelho ou à suspensão das normas por atualizar (n.º 6); no quadro dessa resolução, Rio Maior tem as freguesias de Alcobertas e de Rio Maior, ambas em parte. O plano diretor de Rio Maior foi alterado por adaptação ao programa (Declaração n.º 77/2024/2, Diário da República de 19 de setembro de 2024), e as normas transpostas vigoram cumulativamente com as do plano diretor, prevalecendo as mais restritivas. Em Rio Maior, segundo o plano municipal de defesa da floresta, o parque ocupa o norte do concelho: o setor norte da freguesia de Rio Maior e o oeste e norte da de Alcobertas. O ICNF tem um posto de atendimento em Rio Maior.
Para um furo, a regra que mais conta está no regulamento do plano. Nas áreas sujeitas a regimes de proteção, as utilizações dos recursos hídricos, «nomeadamente a abertura de poços, furos e instalação de captações de água superficiais ou subterrâneas», ficam sujeitas a parecer do ICNF (artigo 9.º, n.º 1, alínea b). O parque assenta no Maciço Calcário Estremenho, uma massa de água de 786 km² que a APA classifica como meio fissurado, incluindo cársico, e que no plano da RH5A tem uma disponibilidade hídrica anual de 426,8 hm³. Num carso, a água corre por condutas e o furo pode apanhar uma ou falhar tudo. Confirmamos pelo pin se o terreno está nas áreas de proteção do parque e dizemos-lhe o que isso implica no processo.
As Salinas: água subterrânea que sabe a sal
Rio Maior tem uma particularidade que poucos concelhos têm: a água subterrânea salgada é aqui um produto e um monumento. Segundo o município, o aquífero atravessa a formação diapírica do Vale Tifónico da Fonte da Bica, dissolve o sal-gema e a salmoura é recolhida no poço das Salinas com uma salinidade sete vezes superior à da água do mar: cerca de 220 g de sais por litro, dos quais 98 % são cloreto de sódio. Não temos nenhum mapa publicado de até onde se estende a zona salgada, e por isso não a dizemos nem a excluímos para o seu terreno. O que fazemos é medir a condutividade durante a perfuração, pedir cloretos na análise e dizer-lhe, com o resultado, para que serve a água.
Hortícolas, vinha e olival: furos para rega
A economia agrícola do concelho assenta, segundo o Guia Rural, na cebola, nos hortícolas, nos cereais, na vinha e no olival, com pecuária de bovinos e suínos. O concelho tem freguesias como Alcobertas, Arrouquelas, Asseiceira e Fráguas, e as uniões de Azambujeira e Malaqueijo e de Marmeleira e Assentiz. Em rega, os três tipos de pedido que mais vemos são estes:
- Hortícolas e hortas: caudal para a época de ponta, depósito para a noite e análise de fósforo e nitratos antes de regar folhas e raízes que se comem cruas.
- Vinha e olival: consumos mais baixos e gota-a-gota, com bomba muitas vezes dentro dos 5 cv e comunicação prévia.
- Pecuária e explorações grandes: abeberamento e lavagens, vários pontos de captação, bomba acima de 5 cv e licença.
Licenciamento em Rio Maior
A APA lista Rio Maior entre os concelhos totalmente abrangidos pela RH5A, e por isso a entidade é a ARH Tejo e Oeste. O pedido corre no SILiAmb: comunicação prévia até 5 cv, licença acima. Numa exploração hortícola, a bomba passa com frequência dos 5 cv, e então é licença. Tratamos nós do processo e só perfuramos depois da resposta. O guia completo está em Licenciamento.
O que fazemos no seu terreno
- Leitura do pin: massa de água, distância ao Parque Natural e ao diapiro das Salinas
- Perfuração com revestimento e ensaio de caudal, com relatório
- Condutividade durante a obra e análise completa no fim, com cloretos
- Bomba, depósito e ligação à rega
- Processo completo na ARH Tejo e Oeste
Quanto custa um furo em Rio Maior
Em Rio Maior o preço sai da profundidade a que está uma camada produtiva e do tratamento que a água possa pedir, e nenhuma das duas se sabe de cima. Não publicamos por isso um valor fixo para o concelho. As plataformas públicas indicam 20 a 60 € por metro perfurado (média perto de 30 €) e 4 000 a 8 000 € para um furo doméstico completo, em regra sem bomba; para rega de uma exploração o orçamento é técnico. Pode ver a tabela por profundidade em Preços.
Como pedir o orçamento
Perguntas frequentes — Rio Maior
Que ARH licencia um furo em Rio Maior?
A ARH Tejo e Oeste. A APA lista Rio Maior entre os concelhos totalmente abrangidos pela região hidrográfica RH5A (Tejo e Ribeiras do Oeste). Submetemos o pedido no SILiAmb.
A água de um furo em Rio Maior pode ser salgada?
Em alguns sítios, sim: as Salinas de Rio Maior recolhem uma salmoura com salinidade sete vezes superior à do mar, que vem da dissolução de sal-gema num diapiro. Não sabemos até onde se estende. Medimos a condutividade durante a perfuração e pedimos cloretos na análise.
Posso fazer um furo dentro do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros?
Depende de o terreno estar nas áreas de proteção do parque. O plano de ordenamento abrange parte de sete concelhos, e nessas áreas a abertura de furos fica sujeita a parecer do ICNF. Com o pin confirmamos o enquadramento antes de lhe dizermos se avançamos.
A massa de água está em risco: ainda posso furar?
Sim, o pedido segue o processo normal. Segundo a APA, a Bacia do Tejo-Sado / Margem Direita está em bom estado quantitativo mas em risco, porque as captações existentes extraem perto dos recursos disponíveis. O furo é dimensionado pelo consumo real e a decisão é da ARH.
Qual a água que posso usar para regar hortícolas?
A que a análise aprovar. A Margem Direita tem estado químico medíocre por fósforo total, e a Orla Ocidental por azoto amoniacal, em ambos os casos pela agricultura e pecuária. Isto é um dado da massa de água; a análise da sua água diz o resto.
Em quanto tempo recebo o orçamento?
Em 24–48 h depois de recebermos o pin e a finalidade da água. O prazo da licença é o da ARH. Peça o orçamento para a sua quinta ou exploração.
Fontes
- APA, PGRH RH5A 3.º ciclo (2022–2027), Resumo Não Técnico da AAE: concelhos totalmente abrangidos pela região hidrográfica do Tejo e Ribeiras do Oeste, entre eles Rio Maior (PDF). apambiente.pt
- APA, PGRH RH5 2016–2021, Parte 5, Anexo III: fichas das massas de água subterrânea (concelhos, meio hidrogeológico, área): Bacia do Tejo-Sado / Margem Direita, Maciço Calcário Estremenho e Orla Ocidental Indiferenciado da Bacia do Tejo (PDF). apambiente.pt
- APA, PGRH RH5 2016–2021, Parte 2: disponibilidade hídrica subterrânea por massa de água (Quadro 5.9) (PDF). apambiente.pt
- APA, PGRH RH5A 4.º ciclo 2028–2033, 2.ª fase, Anexo II — QSiGA 7 e 13: estado químico (fósforo total, azoto amoniacal) e risco quantitativo das massas de água (PDF, março de 2026). apambiente.pt
- APA, Avaliação de Impacte Ambiental «LMAT entre Torre Bela e a Subestação de Rio Maior», relatório: sistema aquífero Tejo-Sado Margem Direita, Calcários de Almoster e Arenitos da Ota/Formação de Alcoentre (PDF). siaia.apambiente.pt
- Instituto Superior de Agronomia, "Análise integrada de dados geológicos e hidrogeológicos na caraterização de sistemas aquíferos multicamada: aplicação ao sistema aquífero Tejo-Sado Margem Direita". hdl.handle.net
- Diário da República, 1.ª série, n.º 156, de 12 de agosto de 2010: Resolução do Conselho de Ministros n.º 57/2010, Plano de Ordenamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (concelhos abrangidos; artigo 9.º, n.º 1, alínea b)) (PDF). files.diariodarepublica.pt
- Diário da República, 1.ª série, n.º 170, de 1 de setembro de 2023: Resolução do Conselho de Ministros n.º 104/2023, atualização dos limites e Programa Especial do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (concelhos e freguesias abrangidos no anexo I, quadro 1; n.os 3, 5, 6 e 7 da resolução; anexo II, capítulo III; normas NGe.22, NGe.25, NGe.26 e NGe.27 do anexo II) (PDF). files.diariodarepublica.pt
- Diário da República, 2.ª série, n.º 182, de 19 de setembro de 2024: Município de Rio Maior, Declaração n.º 77/2024/2, alteração por adaptação do PDM ao Programa Especial do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e ao PGRI do 2.º ciclo (art. 61.º, n.º 2) (PDF). files.diariodarepublica.pt
- Diário da República, Decreto-Lei n.º 118/79, de 4 de maio: criação do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. diariodarepublica.pt
- Município de Rio Maior (CMDFCI), Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, Caderno I: áreas protegidas e Rede Natura 2000 em Rio Maior (PDF). fogos.icnf.pt
- ICNF, Locais de receção de pedidos de autorização prévia e comunicação: posto de Rio Maior (PDF). icnf.pt
- Assembleia da República, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, quadro do município de Rio Maior: freguesias e uniões de freguesias (PDF). files.diariodarepublica.pt
- Turismo Rio Maior (Município), «Sal-gema de Rio Maior»: salmoura do Vale Tifónico da Fonte da Bica, salinidade sete vezes superior à do mar. turismoriomaior.pt
- Guia Rural, Rio Maior — «Economia»: cebola, hortícolas, cereais, vinha, olival e pecuária. guiarural.pt
- Zaask, "Quanto custa fazer um furo de água?" — 20 a 60 €/m, média ≈ 30 €/m. zaask.pt
- idealista/news, "Poços e furos de água: é necessário licenciamento?" (14 set. 2026) — preços e regra dos 5 cv. idealista.pt
- APA — Licenciamento online (SILiAmb), módulo de recursos hídricos. apambiente.pt
Fontes consultadas até 16 de outubro de 2026. Valores indicativos; confirme sempre com a proposta e com a ARH.
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